sábado, 9 de maio de 2015

Duplamente



Duplamente desconfiado, da mulher e da amante, o
sujeito resolve mandar as duas num mesmo cruzeiro para
depois investigar de ambas como cada uma delas se comportou.
Na volta, ele pergunta à mulher como foi a viagem,
como eram os passageiros, que faziam — até identificar
a outra.
— Como era mesmo essa mulher?
— Ah, uma sirigaita! — Ela responde — Não se passou
uma noite sem que aquela mulherzinha dormisse
com um homem diferente...
Meio desconcertado, ele procura a amante e faz a mesma
pergunta.
— Ah, essa tal coroa era uma verdadeira dama.
— Como assim? — pergunta ele, meio aliviado.
— Como assim? Ora, ela subiu a bordo com o marido
e durante o cruzeiro inteiro não saiu do lado dele um
segundo.